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Lançado em 1973 pelo cobiçado selo alemão Brain (famoso por abrigar a vanguarda mais ácida e inventiva da época), Full Horn é o único registro de estúdio da enigmática banda de Hamburgo Cornucopia. O disco rapidamente se transformou em uma lenda entre os colecionadores de Krautrock, figurando com justiça entre as obras mais pirateadas, disputadas e fascinantes da vertente mais psicodélica e livre do rock progressivo europeu.

O septeto formado por Christoph Hardwig (teclados/guitarras), Wolfgang Kause (vocais), Kai Henrik Möller (guitarras), Jochen Petersen (sopros), Wolfgang Bartl (baixo), Wolfgang Gaudes (bateria) e Harry Koch (efeitos e percussão) não estava interessado em fórmulas comerciais ou estruturas acessíveis. O resultado é uma viagem sônica visceral que desafia convenções estruturais.

O álbum é estruturado de forma audaciosa, dividindo-se essencialmente em longas suítes progressivas que alternam passagens de pura beleza melódica com explosões de vanguarda e ruído controlado.

"Day of a Daydreambeliever" (19:50): O lado A do vinil original é dominado por esta suíte titânica de quase vinte minutos. Dividida em subseções conceituais (como "Humanoid Robot Show" e "Night, Night - Mankind's Motor Dream"), a faixa funciona como um mosaico alucinógeno. Nela, órgão Hammond, flautas soturnas, guitarras pontiagudas banhadas em reverb e vocais teatrais se fundem a colagens de efeitos sonoros perturbadores. É uma viagem espacial e claustrofóbica ao mesmo tempo, que captura perfeitamente a essência desbravadora do rock alemão dos anos 1970.

"Morning Sun (Version 127)" (3:07): Em meio ao caos sônico, esta faixa curta funciona como uma ironia satírica. Subtitulada cinicamente como "Para as Paradas de Sucesso" (For the Charts), é uma canção pop dócil e deslocada que serve de respiro cômico antes de o ouvinte ser jogado de volta ao abismo.

"Spot on You, Kids" (12:37): Retornando às composições épicas, esta faixa aposta pesado em dinâmicas de jazz-rock e improvisações ácidas. O trabalho de guitarras gêmeas e os sopros cortantes de Jochen Petersen criam uma atmosfera tensa, hipnótica e genuinamente psicodélica.

"And the Madness..." (4:05): O encerramento do disco consolida o clima melancólico e misterioso, trazendo texturas densas de órgão e guitarras sustentadas que lembram a fase mais espacial de bandas contemporâneas, como o Pink Floyd ou o Jane, fechando a obra com uma sensação de ressaca onírica.

Full Horn é uma verdadeira odisseia sonora. Embora sua produção crua e o ecletismo radical possam afastar ouvintes habituados a estruturas tradicionais, para os entusiastas do rock progressivo mais ousado e do Krautrock, o álbum é uma obra-prima indispensável.

O Cornucopia pode ter desaparecido após este único e magnífico lançamento, deixando para trás uma discografia solitária, mas a cornucópia de ideias contida em Full Horn garantiu à banda um lugar eterno no panteão dos tesouros subterrâneos da música dos anos 1970. Um marco obrigatório e alucinógeno da vanguarda alemã.


Integrantes.

Wolfgang Bartl (Baixo, Backing Vocals)
Wolfgang Gaudes (Bateria, Percussão, Violão)
Christoph Hardwig (Teclados, Violão, Backing Vocals)
Rudy Holzhauer (Percussão, Troot)
Wolfgang Kause (Vocal Principal)
Harry Koch (Efeitos, Percussão, Vocais)
Kai Henrik Möller (Guitarra Principal, Violão, Backing Vocals)
Jochen Petersen (Saxofones, Flauta, Violão)
 
01. Day Of A Day-Dream Believer (19:50)
A. Humanoid Robot Show
B. Hope - Part One
C. Disillusion
D. Hope - Part Two
E. Death Of A Clown
F. D-Daily Review

G. Night, Night - Mankind's Motor-Dream
H. The Sound Of National Caughing

02. Morning Sun, Version 127 (For The Charts) (3:07)
03. Spots On You, Kids (12:37)
04. And The Madness... (4:05)
 
(320Kbps)


 
 
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