Apesar
de não ser um celeiro de estrelas do rock, como os EUA e a Inglaterra,
no início dos anos 70 a Noruega foi o berço de uma banda inovadora e com
grande capacidade musical. Tudo começou quando o guitarrista Thore
Engen e o baixista Einar Bruu, se conheceram ainda crianças e criaram
fortes laços de amizade. Passaram por diversas bandas de pouca expressão
tocando juntos, até que em torno de 1970, através de um amigo em comum,
Knut Engan, conheceram três rapazes: Kai Frilseth, Tor Langbråten e
Arild Larsen, que também tocavam juntos.
Logo, os seis se
identificaram musicalmente e decidiram formar uma banda. Porém, havia um
pequeno problema, tanto Einar quanto Arild eram baixistas, o que acabou
inviabilizando a permanência de Arild na banda. Knut e Tor também
desanimaram do projeto. Nesse momento, Thore Engen, Einar Bruu e Kai
Frilseth (que era baterista) se uniram e estavam procurando alguém para
compor os vocais. Foi quando conheceram Dag Stenseng, que além de
vocalista era flautista. Os membros da banda acharam interessante
mesclar o som clássico da flauta com os outros instrumentos e como Dag
obviamente não podia cantar e tocar flauta ao mesmo tempo, Thore assumia
os vocais em alguns momentos. Porém, para um melhor aproveitamento dos
instrumentistas, foi adicionado mais um flautista à banda, Anders
Sevaldson e de carona veio também Jan Ødegård no órgão.
Estava
então formado o embrião do Lucifer Was, que na época tinha o nome de
"Ezra West", um nome retirado da literatura inglesa, assim como Jetho
Tull e Uriah Heep. Porém, esse nome se tornou um tanto quanto confuso,
pois algumas pessoas achavam que a banda se chamava "Rett Vest", devido a
pronuncia similar. Isso não agradou os membros do Ezra West, que
decidiram escolher um nome diferente. A banda então passou a se chamar
apenas Lucifer, o que também ocasionou problemas, pois muitas bandas nos
EUA e na Alemanha já haviam adotado esse nome. Portanto, sem mais tempo
para pesquisar um novo nome ou talvez por pura falta de criatividade,
renomearam o grupo para Lucifer Was (ou seja, “Era Lucifer”, ou “Éramos
Lucifer”).
Confusões à parte, a banda começou a se apresentar
pela Noruega e fez relativo sucesso, inclusive participando de alguns
festivais. O som dos rapazes era pesado, embora tivesse algo de
progressivo. Uma definição interessante seria dizer que o Lucifer Was
era uma mistura de Black Sabbath e Jethro Tull, o perfeito casamento
entre flauta e guitarra é o ponto marcante nesse sentido.
Embora
tivesse um futuro promissor, a carreira da banda se restringiu ao
período de 1970 a 1974, quando por estarem tocando mais do que o que
podiam agüentar, Jan Ødegård deixou a banda, o que culminou na separação
de todos e no precoce fim do Lucifer Was, sem mesmo ter gravado um
álbum.
Durante décadas o Lucifer Was ficou esquecido no tempo,
até que em meados de 1995, Einar Bruu encontrou uma gravação de sua
antiga banda feita em Oslo em 1974. Ao ouvir as canções, ele percebeu
que eram muito boas, melhores do que ele havia imaginado, e resolveu
contatar os velhos companheiros de estrada para reconstruir seu velho
projeto. Todos, com a exceção de Jan Ødegård, concordaram e logo em
seguida, com as músicas compostas na década de 70, começaram a tocar em
bares, acertando todos os detalhes para finalmente em 1997 lançarem o
seu primeiro álbum: “Underground & Beyond”, que foi produzido
pela própria banda e lançado tanto em CD quanto em LP. Um super-álbum,
com riffs pegajosos e excelentes duelos de flauta/guitarra.
Felizes
com o pequeno sucesso alcançado com o “Underground & Beyond”,
os (a essa altura do campeonato) jovens senhores se animaram e começaram
a compor novas canções para seu próximo álbum. Chamaram um velho amigo
Rolf Kjernet para a produção e em 2000 surgiu o segundo trabalho de
estúdio da banda, o "In Anadi's Bower", que tinha músicas mais longas
que o primeiro, além do uso de mellotrons tocados por dois músicos de
estúdio: Knut Johannessen e Jon-Willy Rydningen. O vocalista Jon Ruder
também foi inserido na banda, pois tinha uma voz mais alta e limpa.
Essas novidades só contribuíram para uma evolução no som da banda e de
forma alguma mudaram o estilo consagrado no primeiro álbum. A banda
mandou fitas em busca de uma gravadora e conseguiu assinar com a sueca
“Record Heaven”. Depois do seu segundo trabalho nas prateleiras das
lojas de música do mundo todo, o Lucifer Was começou a se tornar mais
conhecido e tocou em vários festivais, principalmente na Suécia, onde se
concentra a maioria de seus fãs. Inclusive, muitas pessoas acreditam
que a banda é natural desse país. Apesar de estarem vivendo um bom
momento, o flautista Anders Sevaldson abandonou a banda durante as
gravações do "In Anadi's Bower", deixando a banda com apenas um
flautista para a turnê de divulgação do álbum.
Em um show
internacional realizado em Slottskogen in Gotemburgo na Suécia, a banda
alavancou a venda de seus dois álbuns e anunciou a vinda de um terceiro.
Seria o “Blues From Hellah”, lançado no final de 2003. Nesse período
houve mais uma baixa na banda, o flautista Dag Stenseng se afastou do
Lucifer Was para se iniciar no ramo dos negócios. Para o seu lugar foi
recrutado Morten Seyfarth.
Essa é uma história que nos ensina
que nem mesmo o tempo pode acabar com o talento, nem com o gosto pelo
bom e velho Rock n’Roll. Vida longa ao Lucifer Was!Resenha: Felipe de Alcântara Vieira (Whiplash).
01. Teddy's Sorrow (3:10) 02. Scrubby Maid (2:42) 03. Song For Rings (2:14) 04. Out Of The Blue (2:29) 05. The Green Pearl (6:18) A. The Mountain King B. Fairy Dance C. Belongs To The Sky D. Pearlhall 06. Tarabas (2:49) 07. Fandango (3:28) 08. The Meaning Of Life (3:59) 09. Light My Cigarette (2:59) 10. In Ihe Park (3:14) 11. Asterix (3:27) Bonus Tracks. 12. Tumbling Down (3:55) 13. Mystic (2:53)
In Anadi´s Bower (2000)
01. Behind Black Rider (3:57) 02. Darkness (5:03) 03. Blundered In Homes (4:11) 04. Ship On The Ocean (3:34) 05. Windows Of Time (4:38) 06. In Anadi's Bower (6:21) 07. Kill The Rats (4:23) 08. Legends Waiting (To Appear) (5:51) 09. Little Child (11:18) 10. My Mind Said Stop (2:46)
Blues From Hellah (2004)
01. Blues From Hellah (0:40) 02. Come Drug Me Babe (3:07) 03. Mire (4:21) 04. Armworth (5:00) 05. Old In Eden (3:55) 06. Za Za Banshee (5:21) 07. Lucilla's Gone (3:27) 08. When The Crossword's Done (5:01) 09. Leave And Let Leave (6:54) 10. Sleeping House (3:20)
The Divine Tree (2007)
01. The Divine Tree (6:09) 02. Determination (8:11) 03. On Earth (5:07) 04. Almost Home (7:13) 05. The First Mover (7:31) 06. Crosseyed (10:54)
The Crown Of Creation (2010)
01. Wonder (2:26) 02. Three Hammers (0:43) 03. Unformed And Void (3:34) 04. By A White Lace (3:57) 05. Beggar's Bowl (2:08) 06. Rising Sun (4:42) 07. Try Me (3:30) 08. The Crown Of Creation (4:21) 09. Moments (3:30) 10. Bethanian Theme (4:14) 11. Burning Beautiful Flowers (1:16) 12. Cabris Sans Cornes (4:22) 13. When The Phoenix Flies (3:20) 14. Into The Blue (3:25) 15. Three Hammers Plus (1:00)
DiesGrows (2014)
01. Afterlife (4:59) 02. The Devil Is The Boss Universal (3:51) 03. Crazy World Turns To Me (6:02) 04. I'm Cornered (3:27) 05. I Am Outside (2:52) 06. Glass Shoe (3:04) 07. Silver Spoon (4:36) 08. From Behind Everybody's Blind (4:09) 09. Diesgrows (3:27) 10. Yellow House (4:39)
Morning Star (2017)
01. As It Comes (5:38) 02. A Forest Of Zaqqum Trees (3:52) 03. Tube Music (4:53) 04. Cold Up Here In The North (4:24) 05. Sea Of Sleep (4:49) 06. Sunday Morning Griever (6:05) 07. Pure (15:25)
En Fix Ferdig Mann (2024)
01. Frå Fyrste Dag (4:54) 02. Ein Fix Ferdig Mann (3:09) 03. Krig I Opne Landskap (6:06) 04. Ei Gåte (5:13) 05. Når Natta Kjem Og Tek Meg (2:48) 06. Eg Vil Ha Det Eg Vil Ha (3:07) 07. Snømann I Sol (6:18) 08. Aftenbøn Til Dauden (5:28) 09. Kunsten Å Gjere Ingenting (6:33)
Perguntas, avisos ou problemas no blog, entre em contato através do e-mail: murodoclassicrock@gmail.com
Por vários motivos esse Blog não atende pedidos de discografias, e-mails ignorando este aviso serão ignorados.