
As inclinações progressivas e psicodélicas dão o tom ao álbum que conta com interessantes passagens de flautas, harpas e saxofones. Os instrumentos citados os diferenciavam da grande maioria dos grupos de sua época, além de contar com uma boa dose de originalidade. Raw Material começa com Time and Illusion, canção progressiva que tem o órgão como destaque, principalmente em sua parte mais instrumental. A longa faixa possui uma estrutura bem definida, passagens especiais, solos variados de bateria e teclados, além de uma melodia contagiante.
O órgão de Colin Hatt é o destaque e mostra que o músico possuía talento e criati vidade. I’d be Delight também é uma canção agradável, bom trabalho do baixista Phil Grunn, além de um impagável momento das flautas e sax realizado por Mick Fletcher Fighting Cock também é outra bela canção, balada se situando entre Van Der Graaf Generator e King Crimson, porém sem ser exatamente uma imitação, pois o Raw Material tinha personalidade definida Bobo’s Party fecha o lado A, sendo uma música menos interessante mas que cumpre o papel em completar o álbum.
O outro lado também tem boas canções, mas acaba sendo um pouco
inferior e não traz a unidade do primeiro lado. Os destaques são as faixas Pear
on An Apple Tree, um blues rock com direito a ótima guitarra e teclado no estilo
boogie ao fundo para dar um toque especial. Future Recollections é uma balada
progressiva bacana que traz bons momentos instrumentais além de um vocal que dá
conta do recado. Já Traveller Man está mais próximo do psicodelismo americano e
com leve influência bluseira principalmente ajudada pela gaita que aparece
durante a execução.
O mesmo pode-se dizer da faixa que fecha o álbum, Days of the
Fighti ng Cocks, que também é fortemente inspirada pelo som nascido na costa
oeste americana. Como saldo final, Raw Material se mostra um bom disco,
principalmente na parte instrumental, talvez tenha faltado mais consistência e
um foco mais bem definido quanto ao seu definitivo estilo.
A banda apontou para várias frentes e acabou não sendo efetiva
em nenhuma, o que não significa dizer que o disco seja ruim. Muitos fãs até
citam o segundo disco da banda, Time is Rare, como superior a este. Raw Material
teve um relançamento em 2001 pelo selo espanhol Wahwah Records para deleite dos
fãs do gênero. Existem também edições com o formato digital dos discos da banda. Fonte: Livro, O Maravilhoso e Desconhecido Mundo do Rock - Vol. 1,
por Wagner Xavier.
Integrantes.

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