
The Electric Prunes é uma banda americana de rock psicodélico, formada em Los Angeles, Califórnia, em 1965. Grande parte da música da banda era, como descreveu o historiador musical Richie Unterberger, dotada de "uma atmosfera misteriosa e por vezes angustiante". O seu material de maior sucesso foi composto por Annette Tucker e Nancie Mantz, embora o grupo também tenha escrito as suas próprias canções. Incorporando psicodelismo e elementos do rock eletrônico embrionário, o som da banda era marcado por técnicas de gravação inovadoras com guitarras distorcidas e efeitos sonoros oscilantes. Além disso, o conceito de "música de garagem livre" do guitarrista Ken Williams e do vocalista James Lowe proporcionou a banda uma paleta sonora mais rica e uma estrutura lírica mais exploratória do que muitos dos seus contemporâneos.
A banda assinou com a Reprise Records em 1966 e lançou o seu primeiro single, Ain't It Hard, no final do ano. O seu primeiro álbum, The Electric Prunes, inclui as duas canções da banda que entraram nas tabelas nacionais, I Had Too Much to Dream (Last Night) e Get Me to the World on Time. Com o lançamento do seu segundo álbum, Underground, a banda teve mais liberdade para criar o seu próprio material. No entanto, o grupo original se desfez em 1968, quando se revelou incapaz de gravar os inovadores e complexos arranjos de David Axelrod nos álbuns Mass in F Minor e Release of an Oath. Ambos os álbuns foram lançados sob o nome da banda, cujos direitos pertenciam ao produtor musical David Hassinger, mas foram em grande parte interpretados por outros músicos. Vários dos membros originais da banda se reuniram em 1999 e começaram gravar novamente. O único membro original restante, o vocalista James Lowe tenha faleceu em maio de 2025.
História.
Origem.
A banda teve origem num grupo de garage rock influenciado pelo surf rock, os Sanctions, em 1965. Os Sanctions, que incluíam James Lowe (voz, guitarra), Mark Tulin (baixo), Ken Williams (guitarra solo) e Michael "Quint" Weakley (bateria), gravaram 12 covers num disco de acetato a 27 de março de 1965, num estúdio caseiro de propriedade de Russ Bottomley. Para o seu próximo conjunto de gravações, em 29 de setembro de 1965, o grupo, então conhecido como Jim And The Lords, foi acompanhado pelo tecladista Dick Hargrave, que saiu pouco depois para seguir uma carreira nas artes gráficas. As canções permaneceram inéditas até que a Heartbeat Productions distribuiu no ano de 2000 o álbum, Then Came The Electric Prunes, que foi elogiado pela sua boa qualidade de som, tendo em conta as circunstâncias em que foi gravado.
De volta ao formato de quarteto, a banda, enquanto ensaiava numa garagem, conheceu uma agente imobiliária chamada Barbara Harris. Harris tinha contatos na indústria musical e apresentou o grupo a Dave Hassinger para gravar demos nos Sky Hill Studios. Hassinger, que trabalhava como engenheiro de som residente na RCA Studios e tinha acabado de concluir o desenvolvimento do álbum Aftermath, dos Rolling Stones, manifestou o desejo de produzir um disco. Sugeriu ao grupo que mudassem de nome e consideraram uma lista de alternativas. Segundo Lowe, o nome Electric Prunes começou por ser uma brincadeira, mas acabou por convencer os outros membros da banda, dizendo: "É a única coisa de que todos se vão lembrar. Não é atraente e não tem nada de sexy, mas as pessoas não se vão esquecer." Como resultado das gravações, um single com um cover da música folk rock do Gypsy Trips, Ain't It Hard, e a música escrita por Lowe, Little Olive, foi lançado no início de 1966, mas não entrou nas tabelas.
Sucesso inicial.
Apesar do fracasso comercial de Ain't It Hard, a Reprise Records se animou com o esforço do grupo e assinou um contrato com a banda, deixando-os sob a autoridade de Hassinger. Weakley deixou a banda após o single e foi substituído por Preston Ritter e o guitarrista rítmico James "Weasel" Spagnola foi recrutado para transformar o The Electric Prunes num quinteto. Embora a banda compusesse o seu próprio material, Hassinger convidou as compositoras Annette Tucker e Nancie Mantz para escreverem a maioria das canções do grupo. A nova formação gravou seis demos no American Recording Studio e no estúdio Skyhill Studios de Leon Russell. As demos consistiam principalmente em covers e composições de Tucker-Mantz. Segundo Lowe, enquanto estava no estúdio de gravação de Russell, "Dave colocou uma fita cassete a tocar, não acionou o botão gravar, e a reprodução no estúdio estava demasiado alta: uma guitarra a vibrar e ensurdecedora. Ken estava a usar a sua alavanca Bigsby com um pouco de fuzz e tremolo no final da fita cassete. Para a frente, estava fixe. Para trás, estava incrível. Corri para a sala de controlo e perguntei: 'O que foi aquilo?' Não tinham ligado os monitores, por isso não tinham ouvido. Fiz o Dave cortar e guardar para mais tarde." O som vibrante foi utilizado na abertura da música de Tucker-Mantz, I Had Too Much To Dream (Last Night), que também incluía um riff de guitarra psicodélico bastante texturizado. A canção foi escolhida para ser lançada como o segundo single do The Electric Prunes em novembro de 1966. Alcançou o 11º lugar na Billboard Hot 100 e o 49º lugar na tabela de singles do Reino Unido. O sucesso do single levou a uma turnê imediata e valeu ao grupo um contrato promocional com a fabricante de equipamentos musical Vox. Williams gravou um anúncio demonstrando a utilização do pedal wah-wah da Vox no início de 1967 e a banda foi destacada em revistas como a Vox Teen Beat.
O single seguinte da banda, Get Me To The World On Time, lançado em maio de 1967, combinava efeitos sonoros distorcidos com uma batida psicodélica à la Bo Diddley. A canção alcançou a 27ª posição nos EUA e a 42ª no Reino Unido, sendo a composição mais experimental eletronicamente do grupo até então. Antes de gravarem as canções para o seu primeiro álbum, viram-se musicalmente limitados devido à predominância da parceria de composição de Tucker e Mantz (e também de Jill Jones), que compôs a maior parte do material do álbum. O álbum de estreia do grupo, The Electric Prunes, apresentava efeitos exóticos combinados e riffs de guitarra que faziam lembrar violinos, misturados com uma seleção diversificada e algo irregular de canções pop, com apenas, Train For Tomorrow e Luvin compostas pela banda. Faixas como a música soft rock Onie e Toonerville Trolley sugerem inconsistência na tentativa de produzir um som comercialmente viável. Refletindo sobre o álbum, Tulin disse: "Consequentemente, há definitivamente canções que acredito que não pertencem ao álbum e foram, na verdade, um desperdício do nosso tempo e energia. Havia várias outras ideias em que estávamos trabalhando, mas percebemos que não adiantava avançar com elas porque também seriam 'muito estranhas'."
Em julho de 1967, a banda lançou o seu quarto single, uma das composições mais invulgares da dupla de compositores Tucker-Mantz, Dr. Do-Good. A canção, que apresentava Williams tocando um protótipo de guitarra de aço e vozes que variavam de infantis a enlouquecedores, foi descrita pelo historiador musical Richie Unterberger como "soando mais como um tema de filme de terror descontrolado do que um sucesso radiofónico" e, consequentemente, o single ficou na posição 128 da Hot 100. O Electric Prunes se reuniuno American Recording Studios para gravar o seu segundo álbum, Underground, embora Hassinger não estivesse tão envolvido nas atividades da banda, o que permitiu muito mais liberdade criativa ao grupo para compor o seu próprio material. Para o álbum, a banda escreveu sete das doze faixas e expandiu a experimentação do primeiro álbum, com reverberação e oscilação de guitarra inventivas, num esforço unificado. No entanto, no meio das sessões de gravação, a formação sofreu alterações quando Ritter saiu devido a divergências musicais e foi substituído pelo baterista original, Weakley, que participou em cinco faixas. Spagnola saiu perto do final das gravações para tratar de problemas de saúde e Mike Gannon foi recrutado para terminar o álbum. Gannon participou em apenas duas canções, bem como na faixa não incluída no álbum, Everybody Knows You're Not In Love. Em agosto de 1967, Underground foi lançado, mas sem um single pronto para ser um sucesso, não saiu tão bem na Billboard 200, onde atingiu o pico na posição 172. Após uma turnê pelos EUA no segundo semestre de 1967, a nova formação embarcou numa turnê europeia, o que levou a atuações em locais de destaque como The Roundhouse, The Speakeasy Club e Middle Earth. Na última etapa da turnê, a atuação do The Electric Prunes foi gravada em Estocolmo pela emissora pública sueca. As gravações foram editadas em 1997 no álbum ao vivo Stockholm '67.
O período Axelrod.
Por sugestão do manager Lenny Poncher e de Hassinger, o The Electric Prunes aceitou gravar um álbum concitual que integrasse a música gregoriana no pop psicodélico, acreditando que isso os lançaria para o sucesso comercial. Poncher recrutou David Axelrod, músico com formação clássica, para compor todo o material do projeto. O resultado, Mass In F Minor, foi um complexo arranjo de rock com temática religiosa, cantado inteiramente em grego e latim. Embora a banda tenha gravado as canções, Kyrie Eleison, Gloria e Credo, a intrincada orquestração revelou-se muito difícil e demorada para o grupo. Consequentemente, Hassinger contratou o grupo canadiano The Collectors, entre outros músicos de estúdio para completar o álbum, embora Lowe, Tulin e Weakley tenham contribuído para todas as faixas.
Mass In F Minor foi lançado em janeiro de 1968 e atingiu o número 135 na Billboard 200. Uma versão sinistra da faixa de abertura, Kyrie Eleison, se tornou uma espécie de underground favorita quando apareceu na trilha sonora do filme Easy Rider.
O Electric Prunes apresentou as novas músicas em concerto apenas uma vez, no Santa Monica Civic Auditorium, que Tulin descreveu: "Desde o início, a apresentação foi um desastre. Perdemos a introdução da primeira música e nunca melhorou. Os altifalantes do amplificador queimaram, as partituras caíram dos suportes e todos estavam, em geral, em completo estado de confusão. No final, cada música se transformou numa longa jam. Penso que, por vezes, estávamos todos na mesma tonalidade. Fui até aos quatro violoncelos e aos quatro sopros. e disse-lhes para 'improvisarem em Mi'.
Como resultado de problemas financeiros e musicais, Weakley e Lowe abandonaram o grupo no início de 1968. Tulin e Williams terminaram uma turnê com uma formação que incluía também Kenny Loggins e Jeremy Stuart, mas em meados de 1968 também abandonaram o grupo.
Apesar disso, Hassinger ainda detinha os direitos sobre o nome The Electric Prunes e encorajado pelo sucesso de Mass in F Minor, decidiu montar uma nova formação. Foi apresentado ao grupo do Colorado, Climax, por Rich Fifield. Fifield tinha trabalhado na banda Hardwater (anteriormente conhecida por The Astronauts), que era gerida por Poncher, e produziu um álbum com Axelrod. A nova formação do Electric Prunes incluía os membros dos Climax, Richard Whetstone (voz, bateria, percussão, guitarra), John Herron (órgão) e Mark Kincaid (guitarra), bem como Brett Wade (baixo). Com o grupo reestruturado, Axelrod, mais uma vez, compôs todo o material para o álbum seguinte, no mesmo estilo do anterior, centrando-o na oração judaica Kol Nidre. O álbum, intitulado Release Of An Oath, utilizou vários músicos de estúdio, entre os quais Howard Roberts, Carol Kaye e Earl Palmer e teve Whetstone como o único membro da banda que contribuiu para as gravações. Embora o álbum fosse considerado mais coeso e progressivo do que o seu antecessor, não entrou nas tabelas musicais após o seu lançamento em novembro de 1968. Depois disso, Axelrod regressou ao seu antigo cargo na Capitol Records e o The Electric Prunes fiz turnês como banda de apoio para bandas como Steppenwolf, Canned Heat e New Buffalo Springfield.
O último álbum da banda, Just Good Old Rock and Roll, foi lançado em junho de 1969 com a capa descrevendo o grupo como The "New Improved" Electric Prunes. Herron deixou o grupo antes da conclusão da gravação do álbum, embora ainda fosse creditado como tecladista. Foi substituído por Ron Morgan, que tinha sido guitarrista do Three Dog Night e um músico de estúdio essencial para os três primeiros álbuns lançados pelos The West Coast Pop Art Experimental Band. Com exceção de Finders Keepers, Losers Weepers, que foi co-escrita por Jimmy Holiday, todas as canções de Just Good Old Rock and Roll foram compostas exclusivamente pela banda. Além disso, Wade compôs Flowing Smoothly e o single não incluído no álbum, Hey, Mr. President".
Just Good Old Rock and Roll é muito mais direto do que os trabalhos anteriores, consistindo em hard rock com influência de funk, embora, So Many People to Tell e Silver Passion Mine também exibam um som psicodélico tardio. No início de 1970, Whetstone e Wade abandonaram a banda e se mudaram para o Canadá, onde formaram o Stallion Thumbrock. Morgan e Kincaid montaram outra formação do The Electric Prunes que incluía Michael Kearns, Clay Groomer, Huey Plumeigh e Galen Pugh, mas em meados de 1970, a banda se dissolveu.
Renascimento e reformulação.
Embora a banda se tenha separado em 1970, o seu material continuou circulando através de reedições e álbuns de compilação. Após a inclusão de I Had Too Much To Dream (Last Night) como primeira faixa do seminal Nuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era, 1965-1968, em 1972, iniciou-se um lento regresso do interesse pela música da banda.
Em 1997, todos os álbuns do grupo estavam disponíveis em CD. Após o lançamento do álbum ao vivo de 1997, Stockholm '67, pela Heartbeat Records, a formação original de Tulin, Lowe, Williams e Weakley (agora conhecida como Fortune) se reuniu em 1999 para gravar material inédito pela primeira vez em 31 anos. Em 2001 a banda voltou a atuar ao vivo com novos membros.
Em 31 de Outubro de 2001, a banda lançou o álbum Artifact, que contou com a participação de vários músicos convidados, principalmente o ex -guitarrista do Moby Grape, Peter Lewis. Considerado "aquele que nunca conseguimos fazer", o álbum representou uma visão coesa do som psicodélico da banda. Em agosto de 2002, o grupo fez uma turnê pela Europa pela primeira vez desde 1968, com concertos no Reino Unido e na Grécia e em 2003, foi lançado um DVD sobre a parte britânica da turnê europeia, chamado Rewired. Outros álbuns foram lançados ao longo dos anos, incluindo o álbum conceptual California, em 2004, e o seu álbum mais experimental desde a reformulação do The Electric Prunes, Feedback, em 2006.
Em 26 de fevereiro de 2011, Tulin morreu aos 62 anos, vítima de um ataque cardíaco, enquanto trabalhava como voluntário na Câmara Hiperbárica Catalina da Universidade do Sul da Califórnia. Após a morte de Tulin, a banda entrou em hiato, mas continuou com as turnês em 2013.
Em 29 de maio de 2025, foi anunciado através da página do Facebook da banda que o vocalista e líder da banda, James Lowe tinha falecido em 22 de maio, aos 82 anos.
Estilo musical.
Experimentais e por vezes assustadores, os Prunes foram reconhecidos por abraçarem elementos iniciais do rock psicodélico e ácido, segundo Loren DiBlasi da Paste Magazine. Fonte: Wikipédia.